quinta-feira, 25 de agosto de 2011

1 ano de maguila

minha muito querida amiga fefet é muito da hora e vive pontuando sobre a importância dos costumes, das tradições.
enquanto isso em gotham city ....
hoje, vinte e cinco de agosto, dia do soldado, é o anivo de 1 ano da inesperada partida do maguilão.
andava eu por portugal em dita feita.
e lá se iniciou, no dia vinte e cinco de agosto do ano passado, o que é hoje, para mim, e quem mais quiser, o começo de uma tradição de todos os dias 25 e que vai além dos soldados.
obviamente a tradição tem relação com o cão.
e por ser tradição, me lembrei da fernanda, que aliás buscou ele na primeira das várias operações pelas quais o animal passou.
ela a a ana, aquela dos olhões bonitos.
bom, além do fato que beber é divertido, bebe-se ao cão, que era bom bebedor e aprontou que não foi nem um pouco.
às regras :
1) juntar um ou dois ou dez ou o que for de amigos, e se quiser algum transeunte qualquer agarrado no meio da rua ou onde for, e dirigir-se a algum estabalecimento que seja ou não respeitável e digno, mas que disponha de líquidos etílicos.
2) servir uma rodada de destilado, preferencialmente tequila, à todos os presentes.
3) somar 1 dose pro cão.
4) a dose dos humanos deve, preferencialmente/se possível, ser emborcada em 1 só levada.
5) nesse mesmo momento a do cão vai ao chão.
6) ela deve atirada por algum desconhecido (onde reside portanto a conveniência de se agarrar algum transeunte simpático com aparente potencial de virar amigo de botequim que seja antes de eleger, como dizem alguns portugueses, a capelinha da vez).
7) ao final da última rodada (mínimo de 3) é de bom tom roubar o copinho de shot (o do cão) e fazê-lo chegar às minhas mãos em oportunidade que se faça bebível, digo, cabível.
8) caso se atinja com sucesso a marca de muitas rodadas (tipo perder a conta), é aceitável que o transeunte beba a dose dedicada ao cão ao invés de atirá-la ao chão (assim aconteceu em portugal, num buraco no cais do sodré cujo nome, seja do buraco seja da pessoa, não sei porque, não consigo lembrar de jeito maneira).
9) fora desse dia faz-se também louvável o roubar de bons copinhos de shot para somar à minha coleção, que hoje se consolida oficialmente como tradição iniciada em homenagem ao maguilão.
pahl, já são 6 né ?

a dureza da retidao

dita feita tava sis ali por alte.
cata um genial buso portuga.
vazio que estava (o buso), arrebentada que estava (a mana), esparrama-se em 2 cadeiras.
logo vem a rodomoça, digo, rodobesta, e dá-lhe um soberbo cutucão :
- então pá, estás a ocupar 2 assentos !!
- ora pois, estou sim. o buso tá vazio. algum problema ?
- buso ?
- autocarro senhora.
- sim, de facto está vazio, mas vosso bilhete cobre o preço de apenas um assento !!
endireitou-se prontamente num dos duros assentos retos, digo, rectos.
chegou à lisboa ainda mais fodida.
mas cumprindo o que manda a lei.
sempre.

Os mercadores de Veneza

Antonio Prata

Foi com grande assombro e não menor repúdio que eu descobri, dia desses, que as estantes dos supermercados chamam-se gôndolas.
Até então, tinha cá para mim que gôndolas eram utilizadas única e exclusivamente para levar casais apaixonados, espiões russos e turistas japoneses pelos canais de Veneza.
Jamais imaginaria que esse mesmo substantivo pudesse, encalhado num piso de linóleo e sob o tremelicar quase imperceptível das lâmpadas fluorescentes, sustentar pacotes de biscoito, caixas de sabão em pó, gordura vegetal hidrogenada.
Nunca fui a Veneza.
Talvez seja melhor assim.
Sua existência, não confirmada pessoalmente, continua a fazer parte do meu imaginário infantil : a cidade cujas ruas são feitas de água está para São Paulo como os unicórnios para os cavalos, os vulcões para as montanhas, os dinossauros para as lagartixas.
E se o chifre do unicórnio não é qualquer chifre, mas uma lança espiralada, inexistente noutros animais, os barcos da cidade aquática tampouco poderiam ser meras lanchas ou canoas : são gôndolas, com suas pontas curvas como as dos sapatos do Sultao d'As Mil e Uma Noites, de Ali Babá e Seus Quarenta Ladrões, dos gênios que surgem da lâmpada, em meio à fumaça, prontos a realizar três desejos.
Alguma semelhança com prateleiras de fórmica e aço inox, caro leitor ?
Não, não, eis aí um atentado contra a língua, uma crime de lesa-poesia que deve ser reparado o quanto antes.
Veja bem : as cidades têm regras para protegê-las da voracidade do mercado.
Planos diretores, leis de zoneamento : ali pode prédio, aqui não.
A propaganda tem leis para conter a falta de escrúpulos dos anunciantes : álcool não deve ser anunciado para menores de idade, cigarros estão proibidos de patrocinar eventos esportivos.
O próprio mercado precisa ser regulado externamente.
As palavras, contudo, quem as protege ?
Ninguém.
Um dia, um infeliz decide batizar as estantes de gôndolas e pronto, o mal está feito.
Trazer a gôndola dos canais de Veneza para as seções de laticínios é, para a linguagem, equivalente a construir um prédio no meio do Ibirapuera, para as cidades.
Uma gôndola de supermercado, meus amigos, é um unicórnio abatido para, do marfim do seu chifre, arrancarem cinzeiros e bolas de sinuca.
Minha bronca com esse sequestro semântico é tanta que, se nesta manhã fria, enquanto escrevo a crônica, me aparecesse um gênio da lâmpada, com seus gondulares sapatões, incluiria no pacote de desejos o pedido para que rebatizasse as prateleiras dos supermercados, restituindo assim à gôndola a grandiosidade arruinada por latões de óleo de soja e saquinhos de Miojo.
Ou os mercadores dão às estantes um nome apropriado - estantário, prateleiral, "trúncio"", por que não ? - e devolvem à humanidade esse belíssimo substantivo, ou lançarei uma ampla contraofensiva na internet, com apoio de poetas, de escritores e da máfia italiana : passaremos a chamar cartão de crédito de avestruz, caixa registradora de asa-delta e crachá de buganville.
Para cada grama de lirismo que nos foi roubado, um grama será devolvido, impiedosamente.

--------------

Publicado na Folha de São Paulo, C2 cotidiano em 24 de agosto de 2011

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

expectativa

tinha acabado de dar um baita presentao pro filho numa ocasiao qualquer.
tipo "dei por dar", "presente e´bacana sempre", "nao tem que dar somente em datas x".
depois saiu para jantar com um amigo.
no meio da tomanca de (como diria o fred) uma bela vinhaca, fica sentimentalzao e lanca pro amigo :
- to pensando em dar mais um presente pro meu filho.
pede opiniao.
recebe :
- que que é isso homem, ta´doido ? nao acabou de dar um baita presentao ? desse jeito vai estragar o pirralho.
retruca :
- pois e´bicho, sabe que um dia e´ele quem vai escolher em qual asilo me enfurnar ??
calam-se.
terminam de encher as tacas.
pedem outra garrafa.

salario do sarney

pasmem : R$ 62.284,11 por mes saindo do erario publico.
do dinheiro que eu, voce, enormes otarios, pagamos de imposto.
e´que o pobre do FILHO DA PUTA acumula 2 aposentadorias (porque 2 ?) e 1 salario de senador de R$ 26e tra la´la´.
e nao ve problema de voar em helicoptero da pm para sua ilha particular enquanto outro trazendo um ferido sei la´da onde espera 10 minutos militares descarregarem as malinhas todas do puto no seu regresso, e coloca-las no carro.
enquanto isso tambem a dilma diz que reajuste de aposentado nao vai rolar porque nao cabe nas contas do estado.
o teto da aposentadoria privada e´duns R$ 3mil.
professor se ralando feito cao nao bate 2pilas num mes.
ate´quando vai essa filha-da-putice ???????????
democracia de merda.
horda de canalhas.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

meia em portugal

fernanda vai a portugal.
quer aproveitar o verao.
encontrar a familia.
tomar muitos vinhos.
la´pelas tantas vai buscar sammy em faro.
cata um buso.
tendo mais de 60 pergunta ao motorista :
- tem meia ?
ele responde :
- meias sao para os pes.
pagou inteira.

domingo, 21 de agosto de 2011

bocarra fechada

adiei uns 20 anos a tomada de acao.
sempre aquela barrigada basica do deixa pra depois que ficar de molho e´sempre um pe´no saco.
aparelho agora nao, to novo e nao vou agarrar nenhuma fofola com essa merda na boca.
putz, dois anos de preparacao ? deixa pra depois entao doutor !!
e outras tantas que nem me lembro ou vem ao caso vasculhar nos reconditos do que resta de neuronios no meu querido cerebro insano.
enquanto isso o ronco crescendo, tomando dimensoes guliverianas.
a lua de itu, que tanto faz crescer lobisomen como orelhao, lapis e possivelmente pau de japones quando cheia, igualmente contribuindo pro balurdio goelar acordar o povareu grego (ou seria escandinavo ?) dos ceus.
sim, thor e sua turma reclamando pra odin no olimpo ou sei la´ onde : porra chefe, da´um jeito nesse mortal roncante !!
chega num ponto que ou dorme de lado com mulher que leva a serio uma sugestao dada com um que dramatico "querida, se eu roncar me de uma cotovelada" - e a bichana, puta da cara de nao dormir, dava mesmo !! - ou era encher os cornos de cana e ver de nao cair da cama.
ou depois do rala e rola sem ser do tipo pago nêga lamentando profundamente nao ter pego o taxi e ido embora para casa ...
tambem teve "bullying" em viagens, do tipo : no quarto com esse porra eu nao durmo.
ou nego tirando palitinho pelas minhas costas pra ver quem se safava do quarto dividido e quem teria que encarar o ufc sonoro.
era mesmo ronco pra cacoalhar a casa.
pois bem, sumido que ando e para facilitar nao ter que repetir a historia umas cem vezes pros amigos, creio que finalmente dei um jeito na coisa.
to com a bocarra amarrada depois duma operacaozinha que acertou minha mordida e meu nariz para eu parar de respirar pela boca e com sorte e como objetivo principal dar um basta no diacho do ogro-ronco.
como nao podia deixar de ser rolou um apavorinho na sala de cirurgia ....
disseram que meu osso e´tao duro que uma das serras quebrou.
nao sei se foi brincadeira ou nao, mas depois de concluida a cirurgia e passando com um outro medico o comentario que veio foi "rapaz, me disseram do teu osso duro e da serra que quebrou e que terminaram o trabalho na marreta !!".
confesso que fiquei com uma ponta de orgulho.
me quebraram uma parte da cara, mas eu tambem quebrei pelo menos uma porra duma serra !!
agora nao da´mais para pedir que mandem ela pro thor entubar la´em asgard, mas o que importa :
- estou bem.
- nao fiquei com a cara inchada de nao conseguir abrir o olho.
- nao ta´rolando dor.
- mais umas 2 semanas e to quase zerado de novo e nos vemos e aprontamos alguma.
ate´porque precisa fazer o teste do emborcar alguma e ver se o ronco se arrisca a dar as caras ...
enquanto isso ando recluso na casa de mamae tomando sopinhas e recebendo miminhos.
junto com o presente nao ronco ja´perdi uns tantos quilos e tenho apanhado mas resistido à vontade de fumar.
de repente eu paro.
ando porem um pouco irritado e sem muita paciencia para visitas, e como to com a boca amarrada e sem poder falar o melhor e´ ficar mais um pouco na cova e apreciar momentos como uma boa e longa sentada no vaso para ajudar o dia a passar com todo tipo possivel de entretenimento caseiro.
demorar um tempao no chuveiro e no escovar de dentes.
fazer compressas.
inalacao.
bla-bla-bla.
quanto menos eu falar e mais eu me cuidar melhor pra guinness.
e tambem pro arnaud.
e, claro, pra´ malhar logo a bolota !!!!!!!!!!