terça-feira, 20 de julho de 2010

prozaquianas

o senso de humor ferino e extremamente caustico agucava-se com o passar dos anos e era sua marca registrada.
sobrava-lhe ironia e faltava-lhe pudor para com quaisquer convencoes.
provocava o que quer que fosse de tudo quanto era jeito contando uma enormidade de piadas bestiais uma atras da outra.
uma mais provocativa que a outra.
e a coisa ia mais e mais longe a cada repeteco de infindaveis tragos e gargalhadas.
era como se aquilo fosse uma especie qualquer de religiao.
comprazia-lhe em particular faze-lo sentado 'a mesas fartas de boa companhia, comes e bebes.
mesas para cagar pros relogios e ainda assim, invariavelmente, as horas passarem voando.
enfim, umas mesas realmente infernais e memoraveis.
palcos de grandes bebedeiras e razao de muita dor muscular na regiao abdominal.
ate' que um dia o corpo comecou a impor-lhe certas restricoes.
o tenis de fim de semana ja' nao mais jogava.
o judiado estomago ja' nao mais conseguia digerir seus pratos prediletos. devolvia tudo.
igualmente o fazia seu rodado figado.
seus prazeres iam esvaindo-se um a um pelo meio dos dedos feito areia fina.
nao demorou e foi acometido duma depressao.
eis que metem-lhe prozac e numa conversa com a mulher querendo saber de alguma ajuda ele trata de abaixar as calcas e lhe diz mostrando o esqueletico rabo branco :
- ya tengo muy claro donde es que quieres llegar mujer. ya tengo claro que es lo que quieres. quieres meterme por el culo. quieres hacer igual que ya me lo hicieron las otras todas. adelantate entonces !!
e, sovinice 'a parte, os dois caem na gargalhada.
ela feliz que ele parecia estar de volta.
ele na esperanca de conseguir galgar mais alguns degraus da vida.

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