ali por 2002 ainda nao havia fartura de pecas da peugeot no brasil, e num de muitos retornos de uniao de vitoria a sao paulo acende uma luz vermelha no painel do coche em dado fim de 6afeira.
o auto-eletrico dum posto chamado dragao, gozador e muito do gente boa, mata a charada na hora :
- isso e' carregador do alternador paulista. ja' era. vamos dar uma carga lenta nessa bateria para voce voltar pra' uniao da vitoria na sequencia, e depois seguir viagem de dia e apenas de dia, sem ligar nada de radio, ar, abrir o vidro, limpador, etc .... ou se preferir vai ficar no minimo 1 semana esperando peca.
uma carga lenta leva algo como 2 horas, e fomos entao comer qualquer coisa e bater um papo, matar o tempo.
mandamos um file com polenta, e voltando pra oficina ele saca uma garrafa pet da geladeira cheia dum liquido amarelado :
- vai paulista, prova isso aqui e me diz se nao e' melhor que uisque ....
era boa a cachaca, descia macia.
matamos um litro.
e rumei de volta para uniao da vitoria feliz da vida e faceiro.
no dia seguinte era pegar o trevo pra' direita direcao a curitiba-sao paulo, ou ir pra' esquerda em direcao a bituruna-mais cachaca.
cheguei em bituruna com um belo sol me fazendo companhia, e nao demorou muito encontrei os produtores da bendita.
assim como o figura do posto, os caras eram duma simpatia fora do comum.
e cachaca vai, cachaca vem, cachaca vai, cachaca vem, la' pelas tantas era hora de cortar o trecho.
comprei logo 200 litros, e segui viagem com o porta-malas atulhado de cachaca ate' a boca.
ia correndo bem a viagem, ate' que santo antonio fica triste e comeca a chorar copiosamente no meio duma serra, ja' quase chegando em palmeira.
e sou obrigado a ligar o limpador de para-brisa, e logo fico sem bateria no meio do nada.
toca andar uns sei la' quantos km ate' encontrar um vilarejo, comprar uma bateria nova, andar tudo de volta .....
chegando em palmeira encosto num auto-eletrico, peco carga ultra-lenta numa das baterias pra' buscar no dia seguinte, e munido dum litrinho me enfurno num hotelzinho qualquer.
domingo abre ensolarado, pego a estrada de novo, e uns 10 km depois o carro morre e nao pega de jeito maneira uns 3 km antes dum pedagio.
toca a viatura da concessionaria me guinchar de volta pra' palmeira.
e nada do filho da puta do auto-eletrico que nao tinha carregado merda de bateria nenhuma estar na porra da oficina dele para tomar umas bem merecidas porradas na fuca.
e toca encontrar outro e dar uma carga lenta nas 2 baterias e 2 horas irem pro lixo.
e toca tambem acabar o meu dinheiro e o caixa eletronico da cidade nao estar funcionando.
paguei a carga com cachaca :
- bom moco, quanto deu entao essa carguinha ?
- sao 10 reais.
- entao, toma aqui um gole desse troco ....
glup-glup.
- nao e' muito boa essa cachaca ?
- por acaso e' .... mas o que isso tem a ver com os 10 reais da carga da bateria ?
- e' o seguinte, vou te pagar em cachaca irmao. um otimo negocio. voce vai levar por 10 o que vale 20 ....
e assim foi e seguiu sendo em cada parada de auto-eletrico.
cada bateria durando no maximo uns 70-80 km.
eram 2-3 horas de viagem, 2-3 horas de carga lenta, paga com cachaca, para pra' dormir em hotel que aceitasse cartao, e segue viagem no outro dia logo cedo.
quase chegando em sp o auto-eletrico da vez diz que nao bebe ....
- ei moco, to na estrada ha' 3 dias tentando vencer 650 km desse jeito de merda aqui. quebra o meu galho e aceita essa cachaca vai. pega ela e presenteia um amigo. sei la'. o que realmente sao 15 reais ?
- nao, nao. eu fiz o servico, nao fiz ? eu nao bebo, e quero dinheiro.
- chefe, eu nao tenho dinheiro. so' tenho cachaca. e nao tem ninguem por aqui pra' quem eu possa vender um litrinho ou dois. vai la', larga a mao e entenda o meu lado tambem. to na merda.
- nao, nao, quero dinheiro.
- olha, vamos fazer o seguinte entao, da' uma espiada ai' dentro do carro e ve se te interessa uma camisa minha, ou qualquer outra coisa que te sirva.
- gostei do teu sapato ....
- ta' de sacanagem comigo velho ?
- nao, nao. gostei do sapato. aceito o sapato entao.
- um pe' so' ne' ?
- nao, nao. dois pes.
- dois pes e' mais caro moco ....
- nao, nao. o que eu vou fazer com apenas 1 pe' ?
- bom moco, nao sei. sei que 2 pes e' mais caro do que os seus 15 reais ...
ficamos no coloquio mais um tempinho, e o cidadao tava mesmo decidido a ficar com os sapatos.
acertamos dele me devolver o sapato numa proxima passagem minha pela oficina dele no meio da serra subindo pra' sp.
nunca mais vi o cara, mas a cachaca, que batizei de alain bicquet numa noite de insonia, e eu tinha intencao de vender em sp mas acabou nao acontecendo, durou anos .....
propiciou alegria 'a muitos tristes, e audacia 'a muitos timidos.
deu tambem do maguila beber dela e sair cagando pelas paredes da casa numa das muitas festas que o gentil-homem embalou ....
ate' que um dia as barricas foram parar num deposito de moveis, e viraram po' .....
o auto-eletrico dum posto chamado dragao, gozador e muito do gente boa, mata a charada na hora :
- isso e' carregador do alternador paulista. ja' era. vamos dar uma carga lenta nessa bateria para voce voltar pra' uniao da vitoria na sequencia, e depois seguir viagem de dia e apenas de dia, sem ligar nada de radio, ar, abrir o vidro, limpador, etc .... ou se preferir vai ficar no minimo 1 semana esperando peca.
uma carga lenta leva algo como 2 horas, e fomos entao comer qualquer coisa e bater um papo, matar o tempo.
mandamos um file com polenta, e voltando pra oficina ele saca uma garrafa pet da geladeira cheia dum liquido amarelado :
- vai paulista, prova isso aqui e me diz se nao e' melhor que uisque ....
era boa a cachaca, descia macia.
matamos um litro.
e rumei de volta para uniao da vitoria feliz da vida e faceiro.
no dia seguinte era pegar o trevo pra' direita direcao a curitiba-sao paulo, ou ir pra' esquerda em direcao a bituruna-mais cachaca.
cheguei em bituruna com um belo sol me fazendo companhia, e nao demorou muito encontrei os produtores da bendita.
assim como o figura do posto, os caras eram duma simpatia fora do comum.
e cachaca vai, cachaca vem, cachaca vai, cachaca vem, la' pelas tantas era hora de cortar o trecho.
comprei logo 200 litros, e segui viagem com o porta-malas atulhado de cachaca ate' a boca.
ia correndo bem a viagem, ate' que santo antonio fica triste e comeca a chorar copiosamente no meio duma serra, ja' quase chegando em palmeira.
e sou obrigado a ligar o limpador de para-brisa, e logo fico sem bateria no meio do nada.
toca andar uns sei la' quantos km ate' encontrar um vilarejo, comprar uma bateria nova, andar tudo de volta .....
chegando em palmeira encosto num auto-eletrico, peco carga ultra-lenta numa das baterias pra' buscar no dia seguinte, e munido dum litrinho me enfurno num hotelzinho qualquer.
domingo abre ensolarado, pego a estrada de novo, e uns 10 km depois o carro morre e nao pega de jeito maneira uns 3 km antes dum pedagio.
toca a viatura da concessionaria me guinchar de volta pra' palmeira.
e nada do filho da puta do auto-eletrico que nao tinha carregado merda de bateria nenhuma estar na porra da oficina dele para tomar umas bem merecidas porradas na fuca.
e toca encontrar outro e dar uma carga lenta nas 2 baterias e 2 horas irem pro lixo.
e toca tambem acabar o meu dinheiro e o caixa eletronico da cidade nao estar funcionando.
paguei a carga com cachaca :
- bom moco, quanto deu entao essa carguinha ?
- sao 10 reais.
- entao, toma aqui um gole desse troco ....
glup-glup.
- nao e' muito boa essa cachaca ?
- por acaso e' .... mas o que isso tem a ver com os 10 reais da carga da bateria ?
- e' o seguinte, vou te pagar em cachaca irmao. um otimo negocio. voce vai levar por 10 o que vale 20 ....
e assim foi e seguiu sendo em cada parada de auto-eletrico.
cada bateria durando no maximo uns 70-80 km.
eram 2-3 horas de viagem, 2-3 horas de carga lenta, paga com cachaca, para pra' dormir em hotel que aceitasse cartao, e segue viagem no outro dia logo cedo.
quase chegando em sp o auto-eletrico da vez diz que nao bebe ....
- ei moco, to na estrada ha' 3 dias tentando vencer 650 km desse jeito de merda aqui. quebra o meu galho e aceita essa cachaca vai. pega ela e presenteia um amigo. sei la'. o que realmente sao 15 reais ?
- nao, nao. eu fiz o servico, nao fiz ? eu nao bebo, e quero dinheiro.
- chefe, eu nao tenho dinheiro. so' tenho cachaca. e nao tem ninguem por aqui pra' quem eu possa vender um litrinho ou dois. vai la', larga a mao e entenda o meu lado tambem. to na merda.
- nao, nao, quero dinheiro.
- olha, vamos fazer o seguinte entao, da' uma espiada ai' dentro do carro e ve se te interessa uma camisa minha, ou qualquer outra coisa que te sirva.
- gostei do teu sapato ....
- ta' de sacanagem comigo velho ?
- nao, nao. gostei do sapato. aceito o sapato entao.
- um pe' so' ne' ?
- nao, nao. dois pes.
- dois pes e' mais caro moco ....
- nao, nao. o que eu vou fazer com apenas 1 pe' ?
- bom moco, nao sei. sei que 2 pes e' mais caro do que os seus 15 reais ...
ficamos no coloquio mais um tempinho, e o cidadao tava mesmo decidido a ficar com os sapatos.
acertamos dele me devolver o sapato numa proxima passagem minha pela oficina dele no meio da serra subindo pra' sp.
nunca mais vi o cara, mas a cachaca, que batizei de alain bicquet numa noite de insonia, e eu tinha intencao de vender em sp mas acabou nao acontecendo, durou anos .....
propiciou alegria 'a muitos tristes, e audacia 'a muitos timidos.
deu tambem do maguila beber dela e sair cagando pelas paredes da casa numa das muitas festas que o gentil-homem embalou ....
ate' que um dia as barricas foram parar num deposito de moveis, e viraram po' .....

Negociar um pé de sapato só a dose de mta alain biquet... mto bom !!!!bjs faba TKS
ResponderExcluir