domingo, 27 de junho de 2010

aquela boca

formatura do olavo com esquenta-tamborim em casa pros duros sobrarem com algum na festa e tomarem uma sozinhos, entre amigos ou eventualmente acompanhados.
no caminho o olavo me pede para segurar um pouco a direcao e, com direcao assistida, vomita pela janela.
limpa com a manga do paleto' e logo adentramos no baile.
copos vem, copos vao, no meio da pista avisto e vem em minha direcao uma bela mulher.
vem num andar que parecia magico.
flutuando.
cheia de graca e charme, com olhar enfeiticador, sorriso convidativo, boca de volupia.
poucas mulheres eu ja' vi com aqueles olhos.
olhar de lobo faminto.
olhar rustico de uga-uga.
uma urgencia enorme de beijar na boca.
e de repente o que vinha num embalo que me deixava cada vez mais louco virou num to fora da festa sem nem ver ou saber exatamente o porque.
e a bexiga aperta, e peco para ir ao banheiro, e me falam :
- nao alemao, voce ja' aprontou demais.
- ei moco, tudo bem que eu ja' tenha aprontado e esteja aqui do lado de fora, tudo bem, mas eu realmente preciso dar uma chegada no banheiro.
- alemao, ve se me ouve : esquece de querer banheiro, nessa festa voce nao entra mais.
- olha, eu te entendo e tudo bem mesmo, eu fico aqui fora, mas eu preciso mijar irmao. preciso muito ir dar uma mijada. e' dois v, eu vou e volto, sem aprontar nada. mas me deixa ir mijar que to apertado.
- voce e' surdo ou retardado alemao ? a tua festa acabou !!
- moco, eu to te tratando com respeito e pedindo com educacao ....
- se liga alemao !! sai fora !!
- entao cara, se e' pra entrar nessas de falar de qualquer jeito eu tambem topo .... vou te pedir mais uma vez para me deixar ir mijar, ou vou e' mijar aqui nesse vidro com todo mundo do salao vendo ....
- rararararara, to pra' ver voce ter culhao de fazer isso alemao.
nao gosto, nem sobrio nem bebado, que duvidem de mim.
bebado menos ainda.
dei dois passos pro lado e mandei.
e tomei pelas costas um telefone nos dois ouvidos que me deixou completamente zonzo.
passados uns segundos e recuperada a capacidade de enxergar e ouvir e montar frases entrei num feroz embate linguistico.
meu anjo da guarda se cagando de levar um pau de sei la' quantos armarios que nao tinham cara nenhuma de serem bartira ou casas bahia, e enquanto isso eu indo mais e mais longe.
la' pelas tantas era obvio que ia dar em pancadaria cascuda e me arrastam pro carro.
e enquanto vinha uma tropa querendo o meu sangue, e ja' se ouvia a pm, o carro voa por cima de calcada do jeito que deu.
aquela boca, da minha irma, eu nao beijei.

Um comentário:

  1. ai, ai, ai, querido, sua escrita é seu espelho. Até ouço sua voz meio esgarniçada de bêbado educado e metido a advogado pleiteando direitos humanísticos para um nazi segurança de festa de formatura ( vc tava adorando o embate que eu sei, seu sarcasmo não perderia essa oportunidade) e por fim rindo do ocorrido, mesmo com o anjo da guarda surdo...li mtas das suas aventuras, umas já conhecia, mas gostaria que vc escrevesse sobre a idéia de ter seu pp alambique, lembra? Como era mesmo o nome daquela sublime e intragável cachaça? bjs Faba

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